Afonso Cunha, entre Chapadas e Baixões, crônica de Mayron Régis

    O Chico da Cohab fez o percurso entre Chapadinha e Afonso Cunha incontáveis vezes (a perder de vista). A maioria, pela Chapada. A minoria. pelos Baixos. No ano em que chovia bem pra caramba, as pessoas pensavam duas vezes antes de saírem de casa em direção a zona rural. Não se via nuvem de chuva na hora de sair, mas em pouco tempo se formava uma chuva sabe-la-Deus-de-onde que escancarava o

As cabeceiras da Andreza, municipio de Barreirinhas, crônica de Mayron Régis

    Escreve-se Andreza e não Andressa. Por alguns meses, chegara a acreditar no contrário. Ednólia, presidente da associação, dirimiu a dúvida. Andreza com z e não com dois s. Ela raspava o Buriti dentro de uma bacia sobre a mesa de sua cozinha. Um vizinho “emprestara” alguns Buritis a ela para que fizesse um suco. Ela bateu a massa do buriti em seu liquidificador e depois a despejou numa jarra. O suco

O ‘imprestável’ em Capão dos Marcelos, Baixo Parnaiba, crônica de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Nem sempre a palavra mais adequada se apresenta e, por essa razão, a palavra inadequada ou, quem sabe, a palavra imprestável servirá muito bem a quem se dispor a usá-la. O senhor Luis Vitor vive com a esposa em 60 hectares no Capão dos Marcelos, município de Buriti de Inácia Vaz. Os filhos moram próximos a eles. Nos últimos meses, o senhor Luis Vitor passou bastante

Por um novo início e por uma nova verdade, artigo de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Sem sombra de dúvida: o fim se aproxima, e de um jeito que se esgota com uma rapidez que aflige os olhos. Estaremos prontos para um novo início, sendo início aquilo que nos parece único sem deixar de ser outros? Estaremos prontos para uma nova verdade que, certamente, surgirá associada ou próxima a esse início, sem esquecer, contudo, verdades anteriores que morreram ou estão para

Um histórico de infrações ambientais, trabalhistas e de direitos humanos em Buriti, crônica de Mayron Régis

    [ Territórios Livres do Baixo Parnaíba ] Nem ao resto do almoço os negros de Santa Cruz tinham direito. Se, porventura, o proprietário almoçasse só, a cozinheira melava o arroz e/ou a farinha na gordura da carne que ficara no fundo da panela. Se, porventura, o proprietário almoçasse com sua esposa, esta estragava a gordura, pois jogava água na panela. Nessa época, Vicente de Paula morava com Maria Rita, sua

Baixo Parnaíba: Projetos socioambientais evitam desmatamentos em Buriti, por Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Ele se separara daquela visão ingênua que o impelira três anos antes. Só o amor pela aventura explicaria a sua disposição em querer conhecer as Chapadas de Buriti sem que ninguém lhe convidasse. Não necessitava de um convite formal, assim pensava, apenas ligou para Antonio Pernambucano, técnico que o ministério publico estadual contratara para elaborar um relatório sobre os impactos ambientais ocasionados pela monocultura da

Um Encontro com a Chapada da Jurubeba, crônica de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] À noite choveu e a cidade de Barreirinhas adormeceu enquanto esperava por alguém. Chegar a Jurubeba, povoado de Barreirinhas, requer sacrifícios. Os caminhos não empolgam. Os caminhos se desgastam e desgastam as pessoas. O povoado se situa as margens do rio Preguiças e defronta-se com o município de Santa Quiteria. Os povoados vizinhos a Jurubeba (Passagem do Gado e Mamede) venderam a totalidade de ou

Ganância e generosidade no Baixo Parnaíba maranhense, por Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Diferente do que muitos dizem e do que muitos pensam, a ganância não foi determinante para que os plantadores de soja e as empresas de eucalipto se apropriassem das terras públicas e do imaginário da população no Baixo Parnaíba maranhense, caso fosse determinante, como sugerem algumas conclusões, a ganância compensaria a total inatividade da sociedade maranhense em todos os seus campos de atuação no Baixo

As comunidades quilombolas alumiam o Baixo Parnaíba maranhense, por Mayron Régis

  O prefeito de Brejo, Omar Furtado, acompanhado de uma comitiva, participou no sábado (17) do último dia do 1º Congresso Regional de Comunidades Quilombolas do Baixo Parnaíba. Foto: Blogue de William Fernandes / TV Mirante   [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] O Encontro de comunidades quilombolas do Baixo Parnaíba alumiou muitas comunidades do município de Brejo. Algumas pessoas duvidaram de sua realização. A Secretaria de Direitos Humanos, ligada a Presidência da República,

O orgulho de quebrar coco babaçu em Vila Criolis, Baixo Parnaíba maranhense, por Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Não é recomendável chegar em determinada cidade depois de um determinado horário por talvez não encontrar quem o receba assim como não é recomendável deixar essa mesma cidade em determinado horário por não haver quem o leve. O povoado Vila Criolis se distancia treze quilômetros da cidade de Brejo, Baixo Parnaíba maranhense. Qualquer dificuldade, ele ligaria para dona Milagres que o aguardava em sua casa. Assim

Encarar o tempo em Carrancas, Baixo Parnaíba maranhense, crônica de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] A linguagem, afinal, é um anseio. “Quem me ensinou a apreciar essas as belezas sem dono foi Diadorim...”, escreveu Guimarães Rosa em Grande Sertão Veredas. A linguagem retoma a beleza de sua inércia. “Estradas vão para as veredas tortas – veredas mortas “. A linguagem se apega ao solo. O solo se escreve com a enxada. A escrita dos homens se esconde sob a roça

Os campos da consciência em São Félix do Xingu, em Barcarena e no Baixo Parnaíba maranhense, crônica de Mayron Régis

    [Territórios Livres do Baixo Parnaíba] Ele se retirou daquela loja porque não podia mais ficar tão perto daqueles livros. Ele se retirou ou bateu em retirada? Ele se retirou ou foi uma retirada estratégica? O livro “A Rosa o que é de Rosa”, do escritor paraense Benedito Nunes, despontara entre tantos livros que, em sua maioria, pouco representavam. O dinheiro era pouco para comprar o livro a não ser que

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