Ondas de calor extremo podem acelerar o envelhecimento
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Pesquisa alerta para os impactos do estresse térmico na saúde de adultos mais velhos e sugere medidas de prevenção
Um estudo recente da USC Leonard Davis School of Gerontology, publicado em 26 de fevereiro de 2025, trouxe à tona uma preocupação crescente em um mundo cada vez mais afetado pelas mudanças climáticas: o impacto do calor extremo no envelhecimento de adultos mais velhos.
A pesquisa, conduzida por uma equipe multidisciplinar, revela que a exposição prolongada a altas temperaturas pode acelerar processos biológicos associados ao envelhecimento, exacerbando condições de saúde preexistentes e aumentando o risco de doenças crônicas.
De acordo com o estudo, o estresse térmico causado por ondas de calor frequentes e intensas pode desencadear uma série de respostas fisiológicas prejudiciais em idosos.
Entre elas, destacam-se a desidratação acelerada, a sobrecarga do sistema cardiovascular e o aumento de marcadores inflamatórios no organismo. Esses fatores, combinados, podem levar a danos celulares e ao envelhecimento precoce, afetando a qualidade de vida e a longevidade.
Os pesquisadores analisaram dados de mais de 2.000 adultos com 65 anos ou mais, coletados durante períodos de calor extremo em diversas regiões dos Estados Unidos.
Eles observaram que os participantes expostos a temperaturas elevadas por longos períodos apresentaram níveis mais altos de estresse oxidativo e telômeros mais curtos – estruturas que protegem as extremidades dos cromossomos e são consideradas biomarcadores do envelhecimento.
Telômeros encurtados estão associados a uma maior susceptibilidade a doenças como diabetes, doenças cardiovasculares e até mesmo certos tipos de câncer.
Além dos efeitos biológicos, o estudo também destacou as implicações sociais e econômicas do calor extremo para a população idosa.
Adultos mais velhos, especialmente aqueles com mobilidade reduzida ou que vivem sozinhos, são mais vulneráveis a condições climáticas adversas.
Muitos não têm acesso a sistemas de refrigeração adequados ou a redes de apoio que possam ajudá-los durante ondas de calor, o que aumenta o risco de hospitalizações e mortes.
A Dra. Emily Carter, uma das principais autoras do estudo, enfatiza a necessidade de políticas públicas que abordem essa questão de forma proativa. “À medida que o planeta enfrenta temperaturas cada vez mais altas, é crucial que governos e comunidades desenvolvam estratégias para proteger os idosos.
Isso inclui a criação de centros de resfriamento, a melhoria da infraestrutura urbana para reduzir ilhas de calor e campanhas de conscientização sobre os riscos do calor extremo”, afirma.
O estudo também sugere que os profissionais de saúde devem estar mais atentos aos sinais de estresse térmico em pacientes idosos, especialmente durante os meses de verão.
A hidratação adequada, o uso de roupas leves e a limitação de atividades ao ar livre em horários de pico de calor são algumas das recomendações práticas para minimizar os riscos.
Em um contexto de mudanças climáticas aceleradas, a pesquisa da USC Leonard Davis School of Gerontology serve como um alerta urgente. O envelhecimento da população global, combinado com o aumento da frequência e intensidade de ondas de calor, cria um cenário desafiador que exige ações imediatas e coordenadas.
Proteger os idosos dos efeitos do calor extremo não é apenas uma questão de saúde pública, mas também um imperativo ético em um mundo que enfrenta os impactos de um clima em transformação.
Síntese: O estudo reforça a importância de integrar a saúde geriátrica às discussões sobre mudanças climáticas, destacando que os idosos estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do aquecimento global. Enquanto cientistas continuam a investigar os mecanismos biológicos por trás desses fenômenos, a sociedade deve agir para garantir que as gerações mais velhas possam enfrentar os desafios de um futuro cada vez mais quente com segurança e dignidade.
Referência:
Eun Young Choi, Jennifer A. Ailshire, Ambient outdoor heat and accelerated epigenetic aging among older adults in the US.Sci. Adv.11,eadr0616(2025).DOI:10.1126/sciadv.adr0616
in EcoDebate, ISSN 2446-9394
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